Brasil deve seguir os EUA e cortar juros neste mês

O Banco Central dos Estados Unidos, o Federal Reserve (FED), vinha relutando em reduzir a taxa básica de juros do país, mas a possível ampliação dos impactos do coronavírus na economia mundial levou o órgão a mudar de estratégia. Ontem, em decisão unânime, o FED anunciou corte de 0,5 ponto percentual no indicador, para a faixa de 1% a 1,25%. Com a medida, bolsas de diversos países, caso da Bovespa, reagiram bem e passaram a operar em alta.

Os reflexos externos dessa decisão devem ser ainda mais profundos, nos próximos dias. Economistas ouvidos pelo Hoje em Dia apostam que o corte dos EUA – primeiro país do poderoso G7 a adotar tal expediente em razão do Covid-19 – deve ser replicado por outras nações, inclusive o Brasil.

No início de fevereiro, o Conselho de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduzira a taxa básica de juros brasileira (Selic) de 4,5% para 4,25% – e a previsão era de que tal percentual, o menor da série histórica, fosse mantido até o fim do ano. A justificativa foi de que já se chegara ao limite do processo de flexibilização monetária.

“A próxima reunião do Copom, marcada para 18 de março, deve seguir a mesma tendência (do FED, anunciada ontem), uma vez que a economia brasileira já vinha de uma desaceleração muito forte, há três anos, e até hoje não engatou uma esperada e forte recuperação”, diz o economista Eudésio Silva, da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg).

A expectativa é compartilhada pela professora de economia Mafalda Ruívo Valente, da Faculdade Promove, em Belo Horizonte. <TB>Para ela, a equipe econômica do presidente Jair Bolsonaro não teria outra alternativa neste momento, diante da sinalização dada pelos norte-americanos.

“Acredito que a estratégia seja manter a postura de que risco para investidores segue reduzido no Brasil. Uma nova redução da Selic mostraria coerência, já que as condições externas pioraram, e um esforço para que se mantenha a estabilidade econômica”, diz ela.

Riscos

Para justificar o corte feito ontem, o FED sustenta, em nota, que os fundamentos da economia dos EUA continuam fortes. Entretanto, o coronavírus apresenta riscos crescentes para a atividade econômica.

“À luz desses riscos e em apoio ao cumprimento de suas metas de máximo emprego e estabilidade de preços, o Comitê Federal de Mercado Aberto decidiu hoje reduzir a meta”, diz o comunicado.

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