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‘O vírus é muito mais devastador nas favelas’, diz presidente da CUFA-MG sobre o coronavírus

O presidente da Central Única das Favelas em Minas Gerais (Cufa-MG), Francis Henrique, disse em conversa ao portal G1, nesta sexta-feira (27), que um caso de coronavírus já foi confirmado no Aglomerado da Serra, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, e a contaminação tem preocupado alguns moradores.

“A gente percebe que muita gente está levando a sério as orientações do Ministério da Saúde, mas muitos moradores das favelas ainda não acreditam que a doença é real e está alcançando os números apresentados. Tem muita gente descrente, que acaba deixando de fazer a higiene necessária e não mantém o isolamento social”, contou.

Francis ainda alertou que, no Brasil, 46 milhões de pessoas estão na informalidade e fora do cadastro geral do governo.

“Estas pessoas não aparecem na linha da pobreza. A preocupação tem que ser com estas famílias que estão em casa perdendo renda da noite para o dia. Muitos não vão resistir até o dia 10”.

Outra preocupação é a distância entre as casas, que facilita a transmissão da doença. Vizinhos ficam muito próximos e a concentração de pessoas em espaço pequeno é alta.

Sobre o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, na terça-feira (24), Francis considerou:

“Criminoso. Vai contra a ciência e a recomendação dos órgãos mundiais. Temos que seguir os padrões estabelecidos. Para a gente saber se estes padrões podem ser modificados ou adaptados em países diferentes é melhor evitar a contaminação em massa. O vírus é muito mais devastador nas favelas”.

Onde tem comércio mais ativo, Francis disse que vê mais pessoas nas ruas e que as favelas não mudaram muito a rotina.

“Higienização tem que ser permanente. Precisamos de recursos e donativo. Tem favela que nem água potável tem. Esta necessidade é histórica, não há acesso a alimentação adequada. Em tempos de crise tudo isso multiplica muito”, alertou.

A empregada doméstica Alcione Keler Machado mora no Morro do Papagaio, também na Região Centro-Sul de BH, com duas idosas, e prefere o isolamento domiciliar. “Quero garantir a saúde da minha mãe e da minha tia. Tem líder comunitário fazendo campanha para as pessoas ficarem em casa e eu espero que todos obedeçam. Já conversei com a minha patroa e pretendo ficar o mês de abril todo em casa”, concluiu.

Casos em Minas

O governo de Minas informou que investiga oficialmente 28 mortes decorrentes da doença no Estado. Nenhum óbito foi confirmado em Minas até esta sexta-feira (27).

A SES explica que óbitos em investigação são “óbitos suspeitos de Covid-19 que aguardam a realização de exames laboratoriais e levantamento de informações clínicas e epidemiológicas”. Segundo a pasta, até o momento foram notificados 33 óbitos suspeitos, sendo cinco descartados.

Ao todo, Minas Gerais possui 189 casos confirmados de coronavírus.